terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Poesia #1

Eu um dia hei-de ter poder.


Pouco me interessa mulheres ou amigos,
beijos, promessas... que perigos, que perigos.
Pouco me interessa a gentita vulgar.
Há mais quem queira ocupar o meu lar.

Eu não vou ficar aqui a ver navios,
eu que sou um homem de génio subtil,
um eterno exemplo p'rás massas fabris,
filho da estirpe dos Mestres de Avis,
omnisciente, rico e bem feliz,
doido e previdente nos meus desvarios.

Sim, reservo a vida p'ra tempos melhores,
sem qualquer esforço vou ser o maior,
um dia o mundo vai-me agradecer
por ter nascido, eles vão vêr o meu poder!

Sim, porque eu um dia hei-de ter poder,
ela vai ver, um destes dias...

...nascer o sol aqui nesta mansão
sem ter com quem partilhar o salmão.
Tenho um veleiro, tenho um lindo avião:
posso ir à China por qualquer razão.
Eu vou, vou sim!

Porque eu um dia hei-de ter poder,
e todos vão caír, aqui lamber
as minhas botas o meu "laissez faire",
quando eu quiser, se eu quiser,
me apetecer!

Sim, porque eu um dia hei-de ter poder,
é meu destino e, aliás, tem de ser.
Ela no fundo é que fica a perder
porque eu um dia...

...um dia vais vêr, estúpida!
Estúpida, estúpida, estúpida, estúpida,
estúpida, estúpida...
Estúpido!

- JP Simões -

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