quarta-feira, 8 de maio de 2013

Desafio de escrita..

Ora portantes pah, eu sei que isto é na sua grande maioria um blog de cenas meio parvas e com a intenção de fazer a malta rir um pouco (a ideia é rirem muito, mas se conseguir que pelo menos esbocem um sorriso, já fico contente), mas decidi aceitar um desafio proposto por outro blogger.

O desafio foi lançado pela Pseudo, e o objetivo é escrevermos um texto, que terá que ter obrigatoriamente, 10 palavras fornecidas pelo desafiador. O texto pode ser pequeno ou grande, ficção ou comédia, drama ou terror, é à escolha do freguês, e as palavras aparecem pela ordem que quiserem e podem ser flexionadas para adaptação ao contexto da frase. As palavras são as seguintes:
  • carroça
  • fio
  • sexo
  • ponte
  • mente
  • rir
  • espreguiçar-se
  • palrear
  • limão
  • livro
Não vou passar o desafio a ninguém, quem quiser leva-o para o seu blog, quem quiser pode deixar o texto aqui como comentário. Se bem que gostaria de ver os textos de algumas pessoas que não vou dizer o nome, mas pronto, nem sempre se tem o que se quer. E agora deixo-vos com o meu texto!

(Atenção: como é hábito em mim, é um texto longo... mas muito giro! :D)


"Era uma vez um limão e uma limoa, completamente apaixonados um pelo outro, que viviam juntos desde sempre, no mesmo limoeiro. Só havia um problema, estavam em ramos diferentes. Mas apesar desta situação, eram felizes. Afinal de contas, podiam ver-se todos os dias e palrear, sobre tudo e sobre nada, o dia todo. Para não falar na vista deslumbrante que dispunham. O limoeiro, mesmo à beira da estrada, era praticamente parte da parede daquela ponte antiga, que servia de passagem a todo o tipo de pessoas e mercadorias. A sombra que se projetava desde o tronco até às águas, era o refúgio ideal para animais descansarem, e ponto de encontro para casais de namorados que ali iam, um pouco às escondidas, aproveitando a cobertura oferecida pelas folhas e ramos do limoeiro e pela parede da ponte. Muitas vezes os limões tinham visto jovens apaixonados terem, ali mesmo, debaixo dos seus olhos, sexo pela primeira vez. Foram testemunhas de grandes histórias de fugaz prazer, de paixão avassaladora, de grandes amores, de grandes discussões e de corações destroçados. E também eles o queriam fazer. Estarem juntos, bem mais juntos do que agora, para se poderem beijar, tocar, fazer pequenos limõezinhos. Não havia dia em que não passasse pela mente dos limões que aquele seria um sonho tornado realidade.

Aquele era também um local onde muitos objetos ficavam abandonados, ora por puro esquecimento, ora porque a pressa de sairem dali, não lhes dava tempo de pegar em tudo. Podia ver-se por ali luvas, chapéus, botões, mas o objeto mais curioso de todos, era sem dúvida aquele livro, aberto, com a capa virada para cima, fazendo uma espécie de tenda, abrigo ideal para pequenos escaravelhos e lagartos, com uma enorme árvore na contra-capa e quatro palavras que não se conseguiam ler na capa.

Eduardo, rapaz dos seus 20 anos, mas com aspeto de 30, muito por culpa das horas passadas a trabalhar no campo, estivesse chuva ou sol, tinha naquele dia, uma das tarefas que menos gostava do trabalho no campo. Levar o feno para a quinta. Não que ele o tivesse que carregar às costas, que não tinha, mas ainda era uma viagem de cerca de 10kms, e ter que a fazer de carroça, por aquela estrada cheia de buracos, e ter que passar naquela ponte em tão mau estado, deixava-lhe a alma em agonia e o corpo em sofrimento antecipado. Mas lá se fez à estrada, e indo sozinho, sem ninguém com quem conversar e debaixo daquele sol abrasador, o sono instalava-se com bastante facilidade. A sua cabeça já começava a pender, qual cana de pesca a ser puxada por um peixe, os olhos a fechar, a boca a abrir vezes de mais e espreguiçar-se a cada minuto era inevitável. Adormeceu, antes ainda de se aperceber que estava a chegar à ponte. A carroça, agora dirigida apenas pela mula, seguia caminho incerto, quase fora da estrada, quase a ir de encontro ao limoeiro. Foi então que uma das rodas passou por cima do livro, dando um enorme solavanco, que fez Eduardo dar um salto de braços no ar, ao acordar. O susto foi tão grande, que no salto, acertou em cheio nos limões, derrubando um e ficando o outro preso por apenas um fio do ramo onde estava.

Os dois limões estavam agora mais separados do que alguma vez tiveram. Ela no chão, ele na árvore. Depois de um primeiro momento de pânico, foi impossível não rir de toda aquela situação! Afinal, sempre pensaram que só iriam cair da árvore já velhos e demasiado fracos, ou mesmo só depois de mortos, e nunca por terem sido derrubados por um camponês assustado. Riram, riram tanto que a dado momento, o fio que o prendia se partiu, desprendendo o limão da sua prisão, e caindo com um som oco no chão. Caiu e rolou até perto da sua amada. Estavam, agora, finalmente juntos. Podiam realizar todos os seus desejos, todas as suas fantasias, todos os seus sonhos. Foi então que olharam para a capa do livro, conseguiam agora ler o titulo, e sorriram. Sorriram, pois talvez aquele livro tivesse mesmo sido ali deixado pelo destino. Olharam de novo um para o outro e beijaram-se, apaixonadamente, naquela tarde de final de verão, com o sol a por-se, e os seus últimos raios a iluminarem aquelas palavras escritas a dourado naquela capa vermelha, Um Dia Estaremos Juntos."


Fim



20 comentários:

  1. Respostas
    1. hahah aqui até teve direito a foto e tudo! :D

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  2. Oh bigodinho, adorei isto pa... Mesmo a serio!

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  3. Chiça, tu devias ser o terror dos professores...
    Eu não ia querer corrigir um teste teu!
    Eu gostei do início: "Era uma vez um limão e uma limoa" :D
    ´tá-se mesmo a ver que ia dar em delírio, né?

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    1. Tu ias adorar ter alunos como eu! :)
      A não ser que preferisses textos mal amanhados e sem lógica nenhuma.. :p

      Mas diz lá que não é um delirio giro?! ;)

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    2. Pffft gostava de ver o teu! :p

      (A sério, gostava mesmo.. :))

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    3. oh Mustache, o meu ia ser muito mau, a sério. E a verdade é que, fazendo-o, seria difícil esquecer-me do teu (logo o início, do era uma vez uma limão e uma limoa)
      Tu queres é que eu seja humilhada, buáaaaaaaaaaaa

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    4. Nada disso Wallis! Gostava de ler a tua história, tal como já li tantas outras! E não há melhores nem piores, há apenas diferentes estilos.. :)
      Longe de mim querer humilhar alguém, quero é interação e pessoas apaixonadas pela escrita! :)

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  4. Ali no início do último parágrafo estava a rogar-te pragas: então o gajo quer-nos fazer rir, e eu estou aqui quase com a lagrimita no olho por eles ficarem afastados??? Mas afinal não!, o livro tinha a premonição. Isso soou um bocado a comédia romântica de Domingo à tarde, mas valeu ter (re)conhecido a tua veia literária. ;-)

    Agora admite: tu querias passar o desafio a mim e à Wallis, n'era??? :-P

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    1. Eu avisei logo que não ia ser uma coisa para rir nem parva, mas uma coisa como deve ser.. :) Gosto de criar estes enredos, de histórias separadas que acabam por se encontrar. Eu não as coloco é aqui no blog porque não iam ter paciência para as lerem. Mas ainda bem que gostaste. ;)

      Queria? Isso não é passado? Se calhar ainda quero! :D Sim, entre outras pessoas, tu e ela, foram as primeiras pessoas que me saltaram à mente. :) feel free to take the challenge! :D

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    1. Muito obrigado! :)
      Que estás à espera para aceitares o desafio? ;)

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    2. O meu tipo de escrita vai mais pelas banalidades, não me julgo com talento suficiente para escrita criativa :P Mas se algum dia acordar inspirado, aceito o desafio xD

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  6. Assim de repente isto até parece um texto sério. Ou não fosse o humor uma coisa séria... xD

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    1. Aqui o Mustache é um gajo muito prendado e cheio de boas surpresas.. :)

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Não é por nada, nem quero influenciar ninguém, mas diz que quem comentar neste blog, é uma pessoa espetacularmente espetacular!