segunda-feira, 7 de abril de 2014

Vem até mim.. (NSFW)

Vem até mim. Vá, anda.
Pousa o livro e chega aqui. Não vês que os meus olhos te chamam?
Passos curtos. Sem pressa. Vem com calma. Quero apreciar o teu sorriso de expectativa, quero perder-me nas linhas do teu corpo antes de as percorrer, quero saborear os teus lábios antes de os provar.
Pára. Afasta o cabelo. Porque insistes em usá-lo como véu para o pescoço. Sabes que gosto do teu pescoço. Gosto que seja esguio e elegante. Gosto que esteja visivel.
Aproxima-te. Mais. Mais um pouco. Deixa-me beijar-te o pescoço. Não, este lado não. O outro. Onde to beijei pela primeira vez. Primeiro, só um suave encostar dos meus lábios; depois, com os lábios mais abertos; por fim, com um ligeiro toque da lingua. A tua pele arrepiou-se, a tua boca abriu-se e soltou um, quase inaudivel, suspiro. Sim, exatamente igual a este que agora libertas.
Sentes a eletricidade a percorrer o teu corpo? Sentes o sangue a fluir, a ritmo acelerado, para zonas do teu corpo, adormecidas até há pouco. É desejo. Tal como o que sinto por ti. Consegues senti-lo, não consegues?
Vira-te de costas, deixa-me tirar-te o vestido. Deixa-me passar os dedos pelas tuas costas abaixo até te chegar às nádegas. Desejo-te. Desejo cada curva, cada textura, cada sabor e cada odor do teu corpo.
Deita-te no sofá. Fecha os olhos. Deixa-te levar.
Beijo-te os lábios, o pescoço, os ombros. Sigo neste movimento descendente até te encontrar os mamilos eretos. Envolvo-os com os lábios. pressiono-os com a lingua, trinco-os. Brinco alternadamente com eles. Sinto os pequenos espasmos que isto provoca no teu corpo. Sigo com a lingua pelo teu ventre até chegar às tuas cuecas de renda preta. Sabes que me tiram do sério.
Beijo-ta, mesmo por cima da roupa. Arqueias as ancas quando os sentes. Abro-te ligeiramente as pernas e provoco-te, percorrendo o interior das tuas coxas com lambidas e dentadas. Anseias pelo momento em que te as tiro, mas este jogo de espera e tortura agrada-me. E sei que a ti também. Passo a lingua, novamente, exercendo mais pressão, deixando-te as cuecas húmidas. Gemes de prazer. Tiro-te finalmente as cuecas, deslizando-as pelas tuas pernas abaixo, deixando-te totalmente exposta. Continuas de olhos fechados e trincas o lábio inferior. Beijo-te dos pés às coxas. O teu sexo palpita por mim e acedo aos teus desejos.
No primeiro contacto com a minha lingua quente, soltas um grito de prazer e as tuas pernas apertam a minha cabeça de encontro a ti. Lambo-te como gostas, começando nos lábios até chegar ao clitóris. A minha lingua percorre-te de cima a baixo, entrando e saindo de ti, enquanto uma das tuas mãos me procura o cabelo, agarrando-o com força. Cada vez mais excitada, tocas-te, apertando os teus próprios mamilos. Os teus gemidos são cada vez mais intensos, a tua respiração cada vez mais pesada. Introduzo um dedo em ti e gritas de prazer. Acelero os movimentos com a lingua e com  o dedo. Começas a gritar o meu nome. Já não aguentas muito mais tempo.
Vá, anda. Vem-te para mim.



sexta-feira, 4 de abril de 2014

Civismo.

O civismo de um país pode medir-se pela forma como as pessoas andam nas suas estradas.

Conto ou realidade #1


Acordo com o corpo dorido. Como se tivesse despertado de um sonho demasiado real. Como se umas mãos, enormes e pesadas, não me tivesse atingido a cara, abrindo caminho até ao osso, rasgando pele e cortando carne. Olho em meu redor e tento perceber onde estou. O coração acelera quando me tento mexer e não sou capaz. No meio de um barracão poeirento e desarrumado, estou prostrado numa cadeira de metal -velha e ferrugenta-, mãos e pés atados, conseguindo apenas mexer a cabeça – latejante e cambaleante –, a boca amordaçada com um pano com um sabor a sangue e suor. A juntar à escuridão, apenas cortada pela fraca luz que passa pela finas frestas daquelas paredes de madeira, um silêncio sepulcral tortura-me mais do que mil tambores a rufar em uníssono dentro dos meus ouvidos. Os meus olhos pouco mais me deixam vislumbrar do que aquilo que veria ao espreitar por uma fechadura com a chave lá dentro, de tanta pancada que levaram. Com força, fecho essa nesga a que chamo de olho, numa tentativa de voltar a adormecer, de voltar àquele sonho onde a dor não residia nem no corpo nem na mente.

Desperto de novo até à realidade. Desta vez, acordando com o som estridente de metal a bater em metal. A porta aberta deixa-me vislumbrar, a contraluz, a silhueta de um homem debruçado sobre uma bancada repleta de ferramentas. À medida que me vou habituando à claridade, o meu coração acelera descontrolado e o pânico cresce, ao ver o que me rodeia: caveiras, muitas caveiras. Umas humanas, outras de animais. Fecho os olhos durante uns segundos. Talvez isto seja só um sonho. Reabro-os e sei, definitivamente, que apenas sou parte do sonho de um qualquer tresloucado. Ao ouvir tossir, olho de novo para aquele homem – baixo, gordo e ligeiramente corcunda –, que segura uma enorme faca numa das mãos. Dirige-se na minha direção e baixo a cabeça, evitando olhar para aquela figura grotesca. Quando chega perto de mim, usa a ponta da faca para me levantar a cabeça e me olhar nos olhos. A sua cara é um amontoado de cicatrizes. Aproxima a sua cara da minha e sinto o seu hálito pútrido quando me sorri e lhe vejo uma boca de escassos dentes, todos eles partidos e podres. Quando me faz o primeiro golpe no peito e o sangue escorre até ao meu colo, solta uma gargalhada vencedora, enquanto o meu grito mais não é do que um gemido, constrangido pela mordaça que ainda tenho. Não sei porque aqui estou, mas sei o meu destino: ser, apenas, mais uma destas caveiras que repousam nas paredes. 



quinta-feira, 3 de abril de 2014

Preciso ler mais..

Entre press releases, documentos de crises de gestão, briefings criativos e rácios de gestão, sinto falta de ler um bom livro. Mais, preciso!
E sei isto pela dificuldade que tive em escrever o meu último post. As ideias estão cá, falta-me a capacidade criativa e o vocabulário para as romancear como gosto.


quarta-feira, 2 de abril de 2014

De mãos dadas..

Sentados na esplanada, conversavam de mão dada. Sempre dada. Dedos entrelaçados, presos uns nos outros, como a videira que cresce tronco acima. O mundo deles resumia-se áquela mesa e áquelas duas cadeiras. Quem quer que passasse por perto, imediatamente se tornava invisivel, desaparecia para outra dimensão. Ninguém mais tinha autorização de entrar naquele mundo, apenas por eles povoado. E, tal como no nosso mundo, no deles também o tempo passava. De forma diferente. Não havia segundos, nem minutos, horas, dias ou semanas... Apenas estações do ano. Estações estas, espelhadas na expressão dela. Só na dela. Era ela que comandava o tempo naquele mundo. Naquele mundo que se estava a destruir. O mundo anteriormente perfeito, apresentava-se agora repleto de imperfeições. O ínicio do fim começou com o frio triste do Outono, com a sua expressão grave de quem adivinha a tempestade que se aproxima. O Inverno chegou e, com ele, as primeiras chuvas. Aquelas nuvens castanhas acumularam água e, quando já não era mais possivel contê-las, lágrimas salgadas rolaram pela sua cara abaixo. O fim tinha chegado com tanta força que o mundo que era só deles começou a abrir brechas para o mundo exterior, o dos comuns mortais. Depois da tempestade, veio a calma, a serenidade, a Primavera. A pouco e pouco, a chuva deixou de cair. A pouco e pouco, as flores começaram a espreguiçar-se em direção ao sol. A pouco e pouco, timidos sorrisos voltaram a surgir no seu rosto, ainda marcado pelos rastos dos rios de água que outrora o percorreram. E, tal como em todas as Primaveras, ainda houve momentos de chuva, ainda houve lágrimas que morreram em sorrisos. Mas o Verão acabou por chegar. Sorrisos abertos e calorosos preenchiam agora aquele mundo que, continuando a ser só deles, estava prestes a ficar deserto. Agora já havia segundos e minutos e horas. O tempo, agora, passava de igual forma ao mundo externo. Sabiam que, daí a alguns minutos, cada um seguiria um novo caminho, um novo rumo em direção a um mundo novo. O mundo deles acabou por ser invadido pelo mundo exterior. Pequenas gotas de chuva obrigaram-nos a sair daquelas cadeiras, a apressar a sua separação. Levantaram-se e caminharam juntos durante mais algum tempo, até que, depois de um último abraço que incorporou todas as estações do ano, aquelas mãos se separaram.



Eu, observava-os ao longe. Gosto de observar. Gosto de imaginar o que dizem, o que pensam, o que sentem. Gosto, acima de tudo, de tentar perceber tudo através das expressões e dos seus comportamentos. E, percebendo que o mundo deles estava a terminar, não consegui não ficar impressionado com o facto das suas mãos nunca se terem largado. Estiveram juntas do inicio ao fim, no bom e no mau. Faz-me acreditar que nem todos os fins têm de ser catastróficos, bastando que as pessoas construam o seu mundo na base do respeito, da amizade e do amor. Quando duas pessoas foram os únicos habitantes de um mundo, quer queiram ou não, mesmo após a separação, há coisas que ficam, mais ou menos latentes, mas que ficam. A separação não tem que ser uma coisa má. Pode até ser algo necessário para que o respeito, a amizade e o amor (se bem que outro tipo de amor) se mantenham. Para que os novos mundos de cada um possam orbitar na mesma galáxia, chegando mesmo a cruzarem-se. Quem sabe até se não podem, novamente, construir um novo mundo juntos.