sábado, 20 de julho de 2013

Opção de escolha..



Encontrei esta imagem pelas internets e lembrei-me que este assunto tem surgido várias vezes nas minhas conversas com outras pessoas nos últimos tempos.

Quantos não são os pais que depositam nos filhos todos os seus sonhos falhados? As esperanças que os filhos se tornem aquilo que eles não foram capazes de ser? E não me refiro a serem boas pessoas, ou a terem valores. Não. Refiro-me mesmo a nivel profissional, a chegarem a uma posição de topo, a serem reconhecidos pela sociedade. Sonhos que as pessoas tinham e, por não os conseguirem atingir, esperam que os filhos o consigam.

Acredito que o queiram, também, apenas para o bem deles, para que possam ter uma vida mais desafogada de preocupações e chatices, para que tenham dinheiro suficiente para manterem um nivel de vida melhor do que a que têm agora. Mas ao depositarem esses sonhos, essas esperanças, essas expectativas nos filhos, não estarão também a exercer demasiada pressão sobre eles? Pressão essa que pode levar a que a criança sinta que tem uma obrigação para com os pais em vez de seguir os seus próprios sonhos?

Conheço casos em que isso aconteceu, em que os pais depositaram demasiadas esperanças e expectativas nos filhos e que, quando estes não os conseguiram atingir, a desilusão foi enorme, acabando até por provocar um afastamento entre eles. Eu posso dizer que fui um desses casos. Desde a primária que os professores diziam aos meus pais que eu tinha uma inteligência acima da média, que podia ser o que eu quisesse ser, que só não seria o que não quisesse ser, blá blá blá. Depois, ao longo do restante tempo de escola, essa conversa continuou, "o Eduardo é brilhante", "o Eduardo é o melhor da turma", o Eduardo isto e aquilo. Isto acabou por criar, mais no meu pai, expectativas altíssimas sobre mim e sobre o meu futuro. Não que ele quisesse que eu fosse algo que ele nunca conseguiu ser, pois ele sempre quis ser aquilo que é hoje e no que trabalha há mais de 40anos! Mas acabou por pedir demais de mim, esperar sempre grandes resultados e a não "tolerar" resultados medianos.

Hoje, olhando para trás e refletindo, sei que isso foi uma das coisas que me fez desligar dos estudos e ter uma vida que não era a que esperavam de mim. (Isso e as gajas, as gajas também me ajudaram a desligar-me dos estudos.. suas malvadas!). Andei uns anos "perdido" pela vida, há quem diga que "andei a viver a vida na altura certa", e atualmente, com 29 anos, trabalho e estou a prosseguir com os meus estudos e a tirar uma licenciatura com bons resultados. O que faço agora não é mais do que dar o primeiro passo para perseguir os meus sonhos, os meus desejos, os meus objetivos. A pouco e pouco, o meu pai percebe isso, e a desilusão que tinha está a ser substituida por orgulho.

E vocês, conhecem casos destes? São vocês um caso destes? Fica o tema para quem quiser responder.

18 comentários:

  1. isso acontece mais c os paizinhos que querem k os filhos sejam medicos à força mesmo que os filhos nao se sintam a vontade nem a olhar pro sangue.
    Agora penso que nao tanto, mas há um tempo atrás era "fino" ( e como se pertencesse a outro estatuto) ser-se médico.

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    1. De facto, isso era algo que dantes acontecia, muito em meios mais rurais e com poucas possibilidades do que quer que fosse.. Era normal ouvir-se os pais a dizerem para os filhos estudarem para serem "doutores ou engenheiros", mas aqui era mesmo com o querer que tivessem uma vida melhor.. Hoje em dia, penso que seja mesmo para colmatar as suas próprias falhas.

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  2. Tiraste uma espécie de gap year, mas bastante prolongado. Eu não o fiz por questões pessoais e monetárias, até porque não podia deixar a minha mãe sozinha na altura.

    Mas aconteceu também um pouco comigo. Aliás, acho que acontece com todos aqueles que conseguem bons resultados académicos. Eu recordo-me de que, eu tinha das melhores médias d aminha turma, mas que era dos mais galhofeiros.

    Resultado: terminei o Secundário com 17, poderia ter ficado com 19. Mas compensou :D

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    1. Foi um gap year que durou alguns 4! hahaha pelo meio ainda houve tempos negros de WoW, para ajudar à festa! :p

      Eu podia, de facto, ter terminado o secundário com excelentes notas e ter entrado logo para a universidade e ter tirado uma merda qualquer e, hoje, estar ainda pior do que aquilo que estou.

      As coisas acontecem porque acontecem, e é preferivel ter vivido as coisas daquela forma durante a adolescencia do que em adulto e com responsabilidades.. (se bem que 20-25 anos já não se é adolescente! lol)

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  3. Acho que todos os pais querem ver os filhos licenciados e num trabalho com futuro. Esta escrito no adn dos progenitores. Obviament nem todos poeemos ser pequenos genios como eles sonham e eles tem de compreender isso. Os meus pais nunca me quiseram transformar em medica, mas sei que o meu pai gostava de me ter pago a universidade, mas na altura nao deu.

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    1. Sim, como em tudo há pais e pais. Há os que querem o melhor para os filhos, que estes sigam os seus próprios sonhos, e veem-se eles frustrados por não conseguirem proporcionar isso aos filhos. Depois há os que têm possibilidades e que em vez de deixarem os filhos seguirem o que querem, impõem que eles sigam este ou aquele rumo, porque são eles que estão a pagar os estudos.

      Mas anokas, ainda estás a tempo se quiseres e se ainda não o fizeste. Eu tenho 29 e acabei agora o 1º ano da licenciatura :)

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    2. Já dei alguns passos nesse sentido! Vamos ver como corre :)

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    3. No que puder ajudar, let me know! :)
      E boa sorte!

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  4. É um desejo inerente a muitos pais, verem os filhos ser e ter um pouco mais que eles. Muitos há que têm possibilidades monetárias para tal e os filhos não as aproveitam, havendo outros que gostavam de conseguir proporcionar esse desejo e infelizmente não podem.
    No meu caso, fiquei sem pai bem novinha e o meu avô sempre foi como um pai para mim. Sempre depositou muita confiança em mim, nunca me obrigou a ser a melhor, só queria que eu fosse sempre como era. Um dos maiores desgostos foi quando acabei o 12ºano não ter possibilidades financeiras para eu seguir mais. Procurei emprego, tirei alguns cursos de formação e com 21 anos comecei a trabalhar onde ainda hoje trabalho e que me dá muita satisfação. Mas o meu sonho e o sonho do meu avô continuou no meu pensamento durante alguns anos. E com 33 anos resolvi proseguir os meus estudos. Entrei com a segunda melhor nota para o curso, que terminei com 36 anos e que me deixou muito orgulhosa. Tirei o meu curso e pago por mim. Só um pequeno detalhe, já foi tarde demais para o meu avô, que não me conseguiu ver licenciada.

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    1. Compreendo-te, concordo contigo e revejo-me em algumas partes, nomeadamente no facto de ser eu a pagar o meu curso e de ter imensa pena que a minha avó já cá não esteja para me ver, finalmente, a atingir objetivos que ela sabia que eu tinha capacidade para tal. ISto e tantas outras coisas que tenho pena que ela nunca vá ver, mas isto são outras conversas, outros fados..
      A verdad é que os pais nunca devem, de forma alguma, obrigar a que os filhos sigam determinado caminho. Devem sim, indicar qual poderá ser o melhor caminho, mas deixando-lhes sempre a hipótese de o tomarem, só se quiserem.

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  5. Sabes, sei que eles não o fazem por mal, não para nos massacrar com as suas expectativas mas porque trabalharam tanto para nos dar as oportunidades que não tiveram que lhe "custa" ver que não chegámos lá. Não falo de papais médicos/advogados que impõe ao coitado a mesma profissão, falo de pais que cresceram quase no meio do monte e a pulso tudo conseguiram. Falo por mim, a mais nova de 3, licenciada e a única que está numa "cepa torta" mais prolongada que a dos meus irmãos. E pior do que lidar com as expectativas elevadas dos pais, ver que, por momentos, até eles já desistiram de nós. *

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    1. É isso mesmo, Liz. Falava mesmo desses pais que acham que os filhos devem seguir o "legado" da familia, ou pais que ao não conseguirem ser quem queriam, pensam que se os filhos o forem, de alguma forma, eles conseguiram também.
      O meu pai há muito que tinha desistido de mim, que eu algum dia voltasse a estudar e queusasse as minhas capacidades para algo de realmente bom, mas a pouco e pouco está a recuperar a confiança em mim.

      Beijinho

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  6. Acredito que esses pais não o façam por mal, mas a verdade é que essas situações são altamente prejudiciais para os filhos. Não só pela pressão que lhes é imposta, como também pelo facto de posteriormente poderem não se sentir realizados.

    No meu caso, também fui um bocado como tu, no sentido em que também fui precoce em muita coisa e também diziam aos meus pais que eu tinha aptidões acima da média para a minha idade. Por exemplo: comecei a falar (e bem) muito cedo, comecei a andar muito cedo, aprendi a ler muito cedo, nunca fui de dar erros a escrever (lembro-me que raras vezes tinha erros nos ditados, na primária), etc etc. Mas felizmente os meus pais nunca me cobraram nada. Incentivavam-me nos meus projectos, claro, mas sem cobranças ou pressões. E agradeço-lhes por isso. Sempre tive liberdade e independência nas minhas escolhas. Acho que nem que eu tivesse um QI de génio, quereria ser tratado como tal ou pressionado para escolher determinada área.

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    1. Não fazem por mal, ou não de forma consciente, ams que pode prejudicar em muito uma criança, isso pode.

      Eu sempre tive facilidades na escola, bastava estar minimamente atento que a matéria ficava retida, chegava ao teste e era a melhor nota. Lembro-me de uma situação quando andava na terceira classe, em que estavamos a fazer um teste e não fui o primeiro a entregar como era normal. Quando o fui entregar, a prof disse-me para eu tirar os óculos e, assim que o fiz, ela deu-me um estalo e disse-me para nunca mais ser o segundo a entregar um teste.
      Depois, não foi que os meus pais exigissem de mim, mas as expectativas eram tão altas, que se não apresentava resultados à altura, aparecia a desilusão. E quando caguei para os estudos, foi o fim do mundo..

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  7. Acho que acaba por acontecer com muita gente, o que na maioria da vezes e tal como diz o Roger é prejudicial para os filhos. Colocar nas costas de um filho a responsabilidade da realização dos seus proprios sonhos é no minimo desumano. Eu tive a sorte dos meus pais me deixarem com livre arbítrio em relação ao meu futuro, e acho que se orgulharam sempre de mim. Não fui quem eles queriam ter sido, fui quem eu decidi ser, e um dia se me arrepender de algo, não vou concerteza colocar as culpas nas costas de alguém que me deu poder de decisão.

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    1. Tiveste sorte e acho que fizeste muito bem em seguir o teu rumo e os teus pais fizeram ainda melhor em apoiarem-te sempre! :) E sim, não convém ires reclamar com quem sempre te apoiou caso as coisas te corram mal. :)
      Afinal de contas, não são todos os pais que apoiam uma menina que quer andar a conbater o mal com uma espada às costas! :D

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  8. Nunca me senti a filha que os meus pais queriam que eu fosse e nunca ouvi da boca deles uma palavra de incentivo ou mesmo de orgulho em mim. Fui para a faculdade contra a vontade deles e nunca, nos quatro anos de curso, me disseram que tinha feito bem em seguir os estudos. Pelo contrário, quando acabei o curso e fiquei 8 meses à procura de trabalho atiravam-me à cara que tinha sido um erro estudar.

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    1. Pois, também há estes casos, em que os pais não têm sonhos nem para eles, nem para os filhos. E quando os filhos querem correr atrás dos seus, ainda lhe tentam cortar as pernas.. Acredito que tenha sido dificil para ti, mas superaste isso tudo e hoje deves ainda dar mais valor a todos os sacrificios que tiveste que fazer! ;)

      beijinho

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Não é por nada, nem quero influenciar ninguém, mas diz que quem comentar neste blog, é uma pessoa espetacularmente espetacular!