segunda-feira, 30 de julho de 2012

Short Story #1

Há horas que estou deitado no meu quarto. São 5h30 e não há muito que eu possa fazer. Vocês sabem qual é a pior parte da minha situação? Estou na mesma sala com meus pais. Eles continuam a olhar para mim, e eu não posso ajudar, apenas olhar para trás e tentar não chorar ou gritar.
 
Os seus olhos estão focados em mim e as suas bocas estão abertas. Há um forte cheiro de sangue e eu sinto-me completamente paralisado de medo. É o seguinte. No segundo em que eu dê a entender que já não estou a dormir, estou lixado. Vou morrer, e não há ninguém por perto para me salvar. Eu tenho tentando pensar numa saída, mas a única ideia que tenho é de correr para a porta, correr para a rua e gritar por socorro, esperando que os vizinhos me ouçam. É arriscado, mas se eu ficar aqui, eu vou com certeza morrer.


Ele está à espera que eu acorde para ver a sua obra-prima. Vocês provavelmente estão-se a perguntar o que está a acontecer. Eu às vezes sou um pouco apressado. Cerca de três horas atrás, ouvi gritar do outro lado da casa. Levantei-me e fui ver o que se passava, mas antes percebi que tinha que usar a casa-de-banho.

Em vez de fazer a coisa inteligente, nobre e investigar, eu fui à casa-de-banho primeiro. Eu poderia ter morrido logo depois, devido às minhas acções estúpidas. Mas eu realmente fiz o que tinha a fazer e dei então uma espreitadela pela porta da casa-de-banho. Havia sangue no tapete. Como qualquer outro ser humano sensato, eu apressei-me de volta ao meu quarto, escondendo-me debaixo dos lençóis, como o medroso que eu era. Eu tentei convencer-me a voltar a dormir, e que isto era apenas um sonho estranho, demasiado vivo ou algo assim. Mas ouvi a porta do meu quarto ranger ao abrir, e aterrorizado como estava, dei apenas uma espreitadela por debaixo dos cobertores para ver o que estava a acontecer.

Eu podia ver algo arrastando os meus pais na sala, obviamente mortos. Ele não era humano, isso posso-vos garantir. Não tinha pêlos, nem olhos e nem roupa. Ele andava como um homem das cavernas, com a espinha curvada do esforço de arrastar os meus pais. Mas era mais esperto do que qualquer homem das cavernas.

Ele apoiou o meu pai contra a borda da cama, e fez com que a cara dele ficasse de frente para mim. Em seguida, sentou a minha mãe na cadeira e posicionou-a para mim também. Então, ele começou a esfregar as mãos ao longo da parede, manchando-a com sangue, desenhando um círculo com o pentagrama demoníaco nele. Esta coisa tinha feito o que provavelmente lhe poderia chamar uma obra-prima.

Para terminá-la, escreveu uma mensagem na parede que eu não conseguia ler na escuridão. Em seguida, posicionou-se debaixo da minha cama, esperando para atacar.

A coisa mais assustadora é que, agora os meus olhos já se adaptaram à escuridão, e desde então, eu posso ler a mensagem na parede. Eu não quero olhar, porque é horrível só de pensar, mas eu sinto que preciso vê-la antes de ser morto.

Olho então para a obra-prima da criatura.

"Eu sei que estás acordado."

1 comentário:

  1. Hospital Espírito Santo, em Évora, no edifício do Patrocínio, Piso 4. Tenho certeza que é lá que vais encontrar muitas respostas...

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Não é por nada, nem quero influenciar ninguém, mas diz que quem comentar neste blog, é uma pessoa espetacularmente espetacular!